Fomos ao teatro

Fomos ao teatro
Fomos ao teatro


Olhei para o papel que estava na mochila. Autorização para o Danilo ir ao teatro com os amigos . “ Mamãe, eu quero ir.” Ás vezes sinto Dan falando em meu ouvido. Quanta liberdade em pouco tempo!


A peça seria na instituição SORRI, ao lado da escola. Mães foram convidadas. Somos corujas e não largamos os especiais tão fácil assim. A liberdade é uma demorada conquista. Lá fomos nós .

Subimos a rampa que dá acesso ao andar de cima da instituição. Os alunos da sala especial juntaram-se a outros colegas. Sala lotada. Dois atores a nossa frente. Roupas pretas e bonecos em suas mãos. Eba! Começou o espetáculo! Fiquei surpresa com o que assisti. Dan ao meu lado, prestando atenção, sentindo o ambiente, aprovando a programação. A peça falava de inclusão. Um cadeirante e uma menina conversavam sobre deficiência, aceitação e como reagir ao encontrar um deles. O que fazer ? O que perguntar ? Devo ajudar ? De maneira lúdica e bem humorada as diferenças vão sendo contadas e desmistificadas, Tudo que é feito de modo espontâneo é entendido da mesma forma. Os bonecos permitiram que a platéia tirasse suas dúvidas. Crianças levantando as mãos, interessadas, vivenciando a inclusão. De verdade!

Em seguida foi um adolescente cego expôs sua deficiência. A amiga fazia pergunta, como se eu e vc estivéssemos tirando nossas dúvidas, Coisas simples do dia-a-dia, como: de que maneira você amarra o sapato, como ajudo a atravessar a rua, como usar a bengala? Fazemos isso sem pensar, mas para um deficiente visual cada detalhe é um difícil aprendizado . Nós podemos ajuda-lo. Encenações como a do SORRI nos aproximam deste lado humano da vida.

Para quem se interessar pela peça pode acessar o site www.canoaencantada.com.br ou ligar para os fones 19- 35030299 , 19- 99227 3749 ou 991878405 e falar com Aleixo ou Lilian.

Fomos ao teatro 3

A Classe de Sophia

A Classe de Sophia

escola


Nós fomos os últimos a chegar. Foi em junho que os descobri. Por acaso? Destino ? Sim para os dois. Na Diretoria Estadual de Ensino expliquei que meu filho teria sua primeira vivência escolar. Aos 15 ! E foi me indicada a classe que restou, a única sala regida por professor especializado em Campinas, na Escola Sophia Velter Salgado. E foi nesta exclusiva que nos identificamos, Foi na “ Classe do Sophia “ que vi o direito à educação da criança com mobilidade virar fato. Concreto.

Vou contar um pouco para vocês, ok ? A professora é a mesma, dedicação de 12 anos. Não tem auxiliar ou substituta. Ela e seu dom raro de conduzir a classe das múltiplas deficiências. Seu nome é Eliana. Doce e meiga, tem o DOM. Este não se aprende, nasce com ele. A Renata, aluna falante, rompe o silêncio com sua alegria, seus sonhos e fantasias.Linda! O Michael fala o que você precisa ouvir. Palavras da alma! A Araceli se esforça para aprender cada vez mais. Nesta miscelânea de superação a vida vai gerando vida.

Quando chegamos o orador definiu a turma: “ Danilo, nós somos uma família, nos conhecemos há bastante tempo, um ajuda o outro.” Vivem por amor! O meu sentimento é de orgulho por fazer parte desta grande família. Jóia rara e preciosa aos olhos do PAI. Especiais em sua mais pura definição.

O Danilo está fazendo novas amizades, convivendo com a turma del. Esstá se descobrindo e desbravando o mundo escolar. Aprendizado , desenvolvimento do seu potencial. Todos têm! Dan se mostra corajoso e ávido por novidades. Preparado para o novo. Eles tem aulas de segunda a sexta, das 7 as 11:30 da manhã. Transporte- chamado de Ligado- e cuidador são direitos que o Estado garante aos deficientes e que facilita a ida para a escola. A van adaptada passa em casa logo cedo e leva meu adolescente. Chega cansado e feliz!

A carinha de satisfação dele me enche de orgulho. E comprovam : estamos no caminho certo!

 

 

 

Corridas em nossa vida

Corridas em nossa vida
PrimeiraCorrida

 

Eu tinha vontade. Faltava coragem para correr com o Danilo .

Sempre gostei de esportes. Na infância, foram as aulas de ballet e natação. Na adolescência era a academia de ginástica que me fascinava.Não ficava sem as aulas de localizada e aeróbica. Depois da maternidade não consegui ter regularidade na prática esportiva. Filhos pequenos, trabalho, rotina corrida e novas prioridades....quem é mãe sabe do que estou falando. Cuidar de nós mesmas fica em segundo plano.

A reviravolta veio em 2013. Comecei a frequentar a Lagoa do Taquaral, um parque público próximo de casa. Você pode caminhar por dentro do parque- são 2 km e meio ou por fora- são 6 km. Gosto muito de natureza, lugares ao ar livre e foi ali que comecei a levar Danilo para passear. As saídas alegravam meu filho, via nele um rostinho de satisfação. Comecei a procurar por uma professora de educação física adaptada. Quem procura acha! Conheci a Pamela Spanholeto , profissional com 10 anos de experiência na área .Fui logo falando que queria muiiito dar conta de correr com meu filho especial. Tinha o triciclo adaptado e disposição. Faltava dar um tchau para o medo!

Na companhia de uma profissional acostumada com deficientes, encontrei a segurança que procurava. Começamos caminhando, lentamente. Treinávamos duas vezes por semana, sempre no final da tarde. Eu precisava ter fôlego para empurrar Danilo, que pesa 41 kg e o triciclo, num total de 50 kgs e lidar com a emoção do momento. No início alguns metros já faziam o coração acelerar. Mente e físico andam juntos na preparação. Aos poucos consegui trotar ( corrida leve ). Alternava caminhada com trote. E controlava os níveis de emoção. Para mim esta sempre foi a parte mais difícil.... o emocional. À medida que fui me sentindo capaz, tranquilizava-me. E senti o mesmo processo ocorrendo com Dan. A atividade física cansava meu adolescente. Sim, o prazer é dele também! Não é porque  não anda que não cansa. É como se fôssemos um só e a minha sensação de bem estar é dele também.Cansaço duplo! Forças que se somam!

A primeira corrida de rua foi em abril de 2014. Encaramos 5 km na Corrida do Centro Infantil Boldrini, que trata crianças com câncer. Corremos por uma boa causa e queria que a primeira fosse assim. A Pamela estava junto com a gente, sempre presente. Corremos devagar, nos revezamos para empurrar o triciclo. Quando uma cansava a outra pegava o garotão. Nas duas vezes em que oferecem água no percurso, aproveitamos para jogar água no rosto do Dan. Cruzamos a linha de chegada depois de 40 minutos. Quando você se aproxima da reta final parece um sonho. Intermináveis 500 metros finais. Jamais poderia imaginar que em 6 meses de treinamento eu e Dan conseguiríamos finalizar os 5 km. A superação através do esporte.

E uma vida corrida tinha início. Seremos eternamente gratos a você, Pam!

Somos fortes

Somos fortes
A palavra ” forte” nos persegue.

somos-fortesDesde q nos tornamos mães especiais nasce uma mulher forte.
Seja por exigência sua , por necessidade mesmoooo ou imposição dos outros.
Nasce, cresce, desabrocha!
Eu não me considerava forte. E… não era! Fui ficando……..fui vencendo desafios internos e externos e me surpreendendo. Aos poucos. Como um exercício repetitivo e demorado.
Nós não temos escolha, existe uma opção: ser Mãe com M maiúsculo , mãe leoa, mãe q não desgruda da cria, forte! Aquela q aguenta momentos difíceis , sofre, mas NÃO desiste!
Tem sorriso apesar dos pesares.
Assim somos nós, escolhidas, apontadas lá do alto.
Aquela ali, vai ter um filho deficiente e vai se tornar forte.
Exemplo para as demais.
Olho pra ela e renovo minhas forças.
Paro de reclamar. Dou valor à vida.
E, se eu tenho conseguido, vc tbem consegue!
Não foi fácil mto menos rápido.
Tudo q a gente conquista tem sabor gostoso!