5 motivos de orgulho em sermos mães de pessoas com deficiência

5 motivos de orgulho em sermos mães de pessoas com deficiência
parceria

1- Você se torna uma pessoa mais forte:
Sabe aquela frase " Você não sabe a força que tem até que sua UNICA SAÍDA é ser forte." Então, ela se encaixa perfeitamente em nossas histórias. Nasce um filho com deficiência e junto nasce uma mãe e uma mulher fortes. Um pacote. Comigo não foi de uma hora para outra. Como um conta-gotas, ano a ano venho superando minhas angústias e incertezas ( e supero, nunca para! ) e percebo que situações que antes eram difíceis hoje são mais simples, A rotina de médicos era um martírio ! Evitava, adiava, pedia ajuda do marido. Ele sofreu! Hoje dou conta sozinha....ufa! Cada uma tem o sua "pedra no sapato", e somos forçadas a tirar esta pedra, na marra! Para mim eram os médicos e as saídas com Dan, para vocês que me lêem pode ser a escola que não aceita o filho, o marido que te abandonou, a família que te cobra e exige..... São estas pedrinhas que nos fortalecem.


2- Aprendemos a correr atrás dos nossos direitos:
Sou geniosa e teimosa. Mas não sabia brigar pelos direitos do meu filho! Até que ano passado enfrentei o possível fechamento da sala especial onde Danilo estuda Para minha surpresa encontrei um pit bull aqui dentro! Corri atrás dos meus direitos, extrapolei, xinguei, surtei! Não medi esforços para ver um direito básico-
o da educação- ser cumprido. Gritei como um leão faminto, encontrei forças onde não imaginava encontrar. Assim somos nós, mães de filhos com deficiência- eternas famintas em ver os direitos garantidos. Fernanda, bem vinda ao grupo!Daqui eu não saio mais!


3- Valorizamos as pequenas conquistas:
Os especiais demoram para conquistar.Desde bebês são reabilitados na fisioterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, fonoaudiologia e por aí vai. Para cada avanço vão-se meses e meses- ou anos de treinamento. Nossos atletas! Se nosso filho começa a dar respostas diferentes, consegue fazer algo que antes não fazia, a gente comemora! Pequenas conquistas, GIGANTESCAS diferenças !Ano passado passei a conversar mais com Danilo, e vi uma criança me olhando diferente, mais calmo, mais atento. QUE ALEGRIA! A interação é não verbal, é movida pelo amor, pela paciência, pelo esforço sem medida que esses seres iluminados guardam dentro de si. Valorizamos cada suspiro diferente que conseguem dar!


4- Desenvolvemos a espiritualidade:
Aqui não falo de religião, muito menos em quem ou em que você acredita .Não pretendo discutir este assunto delicadíssimo. Mas tenho certeza que cada uma de nós encontrou a sua maneira de pedir, de implorar ou suplicar! Passamos por momentos onde os médicos não podem nos ajudar, os remédios não fazem efeito, a medicina não encontrou a cura ( ainda ) Mas nossos joelhos se dobram e clamam por luz! E encontram! E como encontram! Presenciamos verdadeiros milagres em histórias REAIS de crianças, jovens e adultos que vivem pelo poder da FÉ. Mães que entenderam a importância da espiritualidade.Sem ela não sobrevivemos!


5- Conhecemos histórias surpreendentes de superação:
São tantas histórias de superação que conhecemos- pessoal e virtualmente que nos motivam e impulsionam. Pais que viram inventores, mães que criam redes de solidariedade, crianças que driblam diagnósticos médicos, milagres que presenciamos, Sou grata por tudo que vejo - isso me dá força e ânimo! Gosto de encontrar um deficiente, de ouvir suas histórias, de conhecer a família. Não canso de me surpreender. Vida que gera vida.


foto: Cacá Dominiquini
Fotógrafa de família em Campinas.
www.cacadominiquini.net
instagram @cacadominiquini

Posso?

Posso?
Falando da cadeira de rodas.

eu e dan fora da cadeira

Posso tirar vc da cadeira?
E fazer seus pés tocarem o chão e sentir a grama.
Posso tirar vc da sua casa de rodas? Vc passa muito tempo nela! A extensão das suas pernas, é ela que te faz ir e vir. Sua melhor amiga!
A gente te empurra, te coloca no carro, te troca, te leva para o mar.....faz tudo em cima do " seu carro". Ela é sua melhor parceira!
Posso trazer vc perto de mim? Sentir seu cheirinho, ouvir sua respiração e passar a mão no seu cabelo cabeludo! Abundância de cachos!
Posso entender suas necessidades? Cadeira que nos põe perto,
cadeira da inclusão e da transformação. Estica e vira, acalma e aceita. A cadeira é seu lar, Dan.
Posso te convidar a olhar para cima, ao alto e para a frente? Vc fecha o olho e eu tbem. Juntos somos mais fortes!
Posso te desejar um ano cheio de adrenalina, de mãos que ajudam a te levar?
E que a vida nos leve, e que a vida seja leve!
Posso querer que o melhor ocorra com vc , através de vc e por causa de vc? Cadeiras tem rodas para nos levar mais longe e além!


Amém!

E lá vamos nós!

E lá vamos nós!

Falando do Adrian e do Danilo


foto (4)


Mães especiais se reconhecem pelo cheiro, pelo sentimento, pela dores que doem no meu e no seu peito


Filhos cadeirantes, que se mexem e não sabemos porquê,


que pedem e tentamos decifrar o que poderia ser. O que ?


Adrian tem 9 anos. Um menino alegre e que movimenta as pernas a todo instante. Quer se comunicar! Tem cognitivo preservado e responde aos estímulos e perguntas. Encanta quem está por perto.


Eu e a Juliana ( mamãe do Adrian ) nos falamos pela internet e nos conhecemos. pessoalmente. Moramos em cidades vizinhas e então fica fácil o encontro.


Mães especiais são carentes de desabafos. Somos movidas a testemunhos, boas histórias, angústias divididas e compartilhadas. Danilo gosta do contato com os " amigos parecidos ". Da mesma turma. Encostamos as cadeiras, e eles cruzam as mãozinhas. como  um cumprimento. A linguagem é deles! Ficam excitados, agitados! É a maneira de se comunicarem. Se as sílabas não saem, o corpo fala!


foto (5)Eles se esforçam, esticam a perna como se quisessem andar. Viram o rosto como se tentassem falar. Olham para nós como se pedissem. Sim, meu filho, eu daria TUDO por você. Sim, eu estou ao seu lado e te acompanho por onde for. Sim, a minha vida mudou desde que você chegou. Reviravolta. 

Que os Danilos e os Adrians possam se encontrar mais vezes. Não tenhos todos os porquês e não quero tê-los. Mais importante que ter respostas é encontrar motivos para perguntas. Perguntas te põem em movimentos, em ação. Vida, me leva para onde for necessário.

Nós na trilha

Nós na trilha
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O distrito de Joaquim Egídio fica a 15 minutos do centro de Campinas e é conhecido por suas trilhas de caminhadas e pedaladas, fazendas históricas, natureza preservada, restaurantes e bares que não saem de moda. Nos finais de semana os carros fazem fila na estrada que leva ao charmoso local.


Gosto de caminhar e pedalar em JE. A trilha mais curta para caminhar tem 1,5 km em estrada de terra, árvores centenárias e cheirinho de natureza. O visual relaxa só de contemplá-lo. Revigoro-me!


Outro dia fui pega de surpresa no meio da trilha. Uma clareira chamou a atenção e entrei. Encontramos um riacho – quase seco- e um balanço desocupado. Dúvida: arrisco-me ou não ? Analisei,  olhei em volta e sentei. 2O balanço , feito de bambu forte, estava pendurado por uma corda igualmente forte. Coisas de infância. As crianças de hoje não sabem o que é isso! Coloquei uma perna, busquei equilíbrio, pus a outra. Sensação gostosa! Balança para lá e prá cá, estica a perna, volto aos 10 anos de idade!


Pena que não pude proporcionar o  “frio na barriga” para o Dan. Coloquei a cadeira dele numa “visão privilegiada “. Ele vibra tanto quanto eu as aventuras! Faz cara de “continua......”

Vejo a natureza emoldurada em tons de verde. Um quadro à frente. Cores e sensações. Cheirinho de liberdade. Espelho da água que resta. Um menino de uns 4 anos chega de bicicleta junto da mãe e observam.Os dois ficaram parados,tentando ganhar coragem. 3Quase que ele foi! Assim como Dan, vibraram com a criança corajosa que despertou em mim!

Sai do balanço, deixamos a clareira e seguimos pela trilha. As arvores crescem, se unem e formam túneis . Sombra e sol se misturam em perfeição.Danilo gosta destas saídas ao ar livre. Cheiro de natureza  exala ao nariz. No final dos 1,5 km encontramos um cercado com vacas. Coloquei Dan próximo  e ficamos observando . Comem capim, vivem juntos , são calmos. Vida simples.


Voltamos para casa com as cenas do passeio na cabeça e a sensação de prazer no coração e no corpo. Recomendo essas escapadas. Trilhas revigoram.4



 

Amor sobre rodas.

Amor sobre rodas.
Falando da Letícia e do Paulinho.

foto (4)

 Olá pessoal da page “ Somos especiais ‘!


Me chamo Letícia, moro em Campinas interior de SP, sou intérprete de Libras, para quem não conhece é a Língua Brasileira de Sinais usada na comunidade Surda e também fotógrafa.


Namoro um cadeirante, Paulinho Souza, que já passou por aqui “colunando” , contando como é sua experiência de vida e o cotidiano de “ SER CADEIRANTE.”


Então a pedidos da Fer e Dandan vou escrever um pouquinho da nossa história, vou tentar resumir em algumas linhas pois o nosso curta metragem seria mais um longa, risos!!!


Eu e o Paulinho nos conhecemos na quadra de basquete ( basquete sobre rodas), pois é, diferente né ? Digamos que uma maneira diferenciada de começar um AMOR. Ele jogador e eu uma fotógrafa apaixonada por esportes adaptados. Depois de alguns jogos começou nosso romance mas virou AMOR, rsrsrs.


Como é namorar um cadeirante ? Todos os dias você se surpreenderá , isso é fato! Quando penso: “Ah, isso ele não consegue fazer.” Sempre “caio do cavalo”, ele consegue fazer de tudo. Olha...ele dá um show em mim de organização e arrumação da casa, viu ? E SEMPRE. Sempre ele tem um jeitinho para tudo! Em questão do amor, não tenho nem palavras para dizer: carinhoso, prestativo, atencioso, verdadeiro e companheiro para todos os momentos.


Olhem, se eu dizer que não existe preconceito , estaria mentindo para vocês, amigos. Existe sim! Pelo menos da minha parte não mas da sociedade sim e namorar com um cadeirante é não conseguir passar despercebidos. No Shopping, por exemplo, sempre tem alguém que olha, até me acostumei rsrs....Digo que andar com surdos e conversar através da língua de sinais as pessoas já dão aquela espiadinha. Com cadeirante não é diferente!


Pensava que minha família não iria aceitar porém eu estava totalmente equivocada. Aceitaram numa boa! Mas também não teria como rejeitar o Paulinho, simpático, engraçado e esforçado. Minha família tem uma grande admiração por ele, principalmente minha avó.


E todos os dias eu aprendo com ele : força, garra, determinação e SUPER-AÇÃO. Não digo de superar as limitações mas sim de conviver com elas e fazer do “leão um gatinho”.


Ser cadeirante e uma namorada de um “gato de rodas” é “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. É....Paulinho, por isso que te amo! Obrigada por tudo! Queria agradecer o carinho de todos que deram dois minutos do seu tempo para ler esse post e também agradecer a page “ Somos especiais “ Fer e Dandan. Obrigada por todo carinho!