Mais uma corrida. Mais uma historia. Anota aí: com emoção!

Mais uma corrida. Mais uma história.
Anota aí: com emoção!

 

MAKE UP RUN

Os clicks me definem.
Este registro de hoje, do fotógrafo Rogério Capela Ilustra o que uma mãe sente ao correr com o filho cadeirante.
Sinto-me leve a cada corrida. Estou mais á vontade nas pistas e fora delas. Os pés saem do chão, o coração também. Tem horas que respiro fundo e não acredito que já são 12 meses nesta adrenalina viciante.
Numa cidade tida como “fechada ” como a nossa, a inclusão pede passagem!
Meu filho deixa marcas por onde passa!

O cabelo esvoaça com o vento, sinto-me livre.
Assim como vc,filho. Seus pés não encostam o chão, sua voz não é ouvida. Mas pode ser S E N T I D A! Sua presença mexe com nossos sentidos mais profundos. Fala na alma. Pulsa um menino puro, que sente a vida, que sente as pessoas em volta dando carinho.

Hoje , enquanto conversávamos e corríamos ( sim, mulheres correm conversando ! A gente perde o fôlego mas não pára de falar!)
perguntei para as meninas que corriam pela primeira vez com a gente : ” qual a sensação de estar aqui, correndo com o Dandan ? ” E vem as respostas……

A motivação de voltar a ter vontade de correr
de voltar a ter vontades que estavam adormecidas…..
A alegria de bater recordes , de perceber que somos capazes de fazer…..
A possibilidade da convivência entre pessoas com e sem deficiência……
A possibilidade de aprender com uma pessoa limitada fisicamente porém ilimitada emocionalmente…. F O R T E.

Corremos por 6 km em 42 minutos. Revezamos em 5 mulheres! Não nos preocupamos com o relógio. Atletas ou corredores que treinam pesado fazem na metade do nosso tempo. Passam por nós.O Dan engordou ( e a Drica Siqueira emagreceu!) e está pesando 45 quilos, somados aos mais de 10 da cadeira vão-se quase 60 quilos! Pegamos uma subidinha insana no quilômetro 4 para o 5 e suamos heimm! Pedimos água! Nas horas mais puxados todas as mãos são úteis! Força somada! Quando a linha de chegada apareceu á minha frente…. confesso que emocionei. Chorei baixinho. Chorei por dentro. De felicidade. A fraldinha do Dan enxugou as lágrimas.

Saber que meu filho e minha família são instrumentos de bons momentos.
Olhar para trás e lembrar que eu tinha medo de sair com você e que hoje meu cabelo balança suave, ao som do vento.Vivo! Meus pés saem lentamente do chão, numa dança que comparo ao de uma festa.Meu coração está alegre.

Eu só posso dizer obrigada a cada uma de vocês.

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Sobre a Autora

Fernanda Terribile é jornalista formada pela PUC Campinas, casada e mãe da Isadora e do Danilo, que tem paralisia cerebral severa. Criou o blog em 2012 para encontrar outras famílias que tenham filhos com deficiência e incentivar a prática do esporte. Participa de corridas de rua com seu filho cadeirante. Conheça!
2 Responses
  1. Alessandra

    Maravilhosos acompanho sempre os posts e esse não seria diferente. Parabéns pra vcs, afinal toda dedicação tem seu preço e a de vcs tem sabor especial…sempre. Amor e superação!!! bjs

Dúvidas e Comentários